8. MUNDO 22.8.12

1. TIROS EM SRIE
2. SEM SADA

1. TIROS EM SRIE
Sequncia de trs atentados sangrentos em menos de um ms provoca aumento nas vendas de armas nos EUA e intimida os candidatos  Presidncia
Mariana Queiroz Barboza 

CONSUMIDOR - Homem experimenta pistola semiautomtica numa loja de Las Vegas
 
Segunda-feira 13, 12h30, cidade de College Station, Texas, Estados Unidos. O site da Universidade A&M exibe um alerta para que os estudantes no se aproximem do estdio de futebol do campus, onde um atirador abre fogo. O homem identificado como Thomas Alton Caffall III disparou a esmo por cerca de 30 minutos at ser baleado e morto pela polcia. A ao, que deixou dois mortos e trs feridos,  o terceiro atentado com armas de fogo que ocorre nos EUA em menos de um ms. Em um pas que garante o porte de armas como um direito constitucional, isso no  uma coincidncia. Estatsticas oficiais indicam que h 300 milhes de armas nas mos de civis  o equivalente a uma para cada habitante. O momento, portanto, no poderia ser mais propcio para reabrir o debate e discutir o endurecimento das regras para o comrcio e o porte de armamentos no pas. Talvez essa seja a questo mais trgica e surreal para a poltica americana, disse  ISTO Saul Cornell, professor de histria da Universidade Fordham, de Nova York, e uma das maiores autoridades do pas no assunto.
 
Enquanto poucos esto dispostos a abrir mo da facilidade de adquirir armas, a resposta dos americanos parece seguir na contramo do bom-senso. Nas semanas seguintes ao massacre no cinema de Aurora, Colorado, onde 12 pessoas morreram, as vendas de armas no Estado aumentaram 30% em relao ao ms anterior, segundo o relato de comerciantes  rede CBS Denver. O perfil dos novos compradores inclui mulheres e idosos, que veem no objeto uma forma de se proteger contra futuros ataques. O mesmo movimento aconteceu no ano passado aps um tiroteio em Tucson, Arizona, que deixou seis vtimas e feriu a congressista Gabrielle Giffords. Some-se a isso o fato de que, em anos eleitorais, as vendas so alimentadas pelo temor de que o prximo governo dificulte o acesso s armas. 
 
Obama segue com um discurso ameno, porque o tema  especialmente caro aos democratas. Para Robert J. Spitzer, professor de cincia poltica da Universidade SUNY Cortland, evita-se um debate poltico direto, porque esse  um assunto que divide a opinio pblica  h 20 anos, as pesquisas mostram que o apoio a leis mais rgidas tem cado. Muitos atribuem a derrota de Al Gore para George W. Bush em 2000, justamente por Gore defender novas regras para as armas, afirmou  ISTO. Spitzer, que  autor de quatro livros sobre o controle de armas, disse que a tendncia  de os atuais candidatos  Presidncia, Obama e o republicano Mitt Romney, desviarem o foco para outros assuntos, como a economia. Nesse cenrio, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, emergiu como a principal voz a favor de mais restries e chegou a pedir que os policiais entrassem em greve. Estamos fazendo de tudo para dificultar o trabalho deles e deix-lo mais perigoso, ao dar armas nas mos de quem no deveria t-las.
 
A maioria das leis em relao s armas no tem validade para todo o territrio americano. Mesmo a idade legal  um critrio que varia de um Estado para outro. A verificao de antecedentes criminais no se aplica para as vendas privadas e, em muitos lugares, no h limites para o nmero de armas compradas de uma vez s, o que facilita o trabalho de potenciais criminosos. Para Saul Cornell, o resultado desse sistema  cruel. As vtimas mais provveis da violncia das armas so homens negros que vivem em reas urbanas. Se mudssemos a regulao, haveria menos mortes e definitivamente menos massacres, disse.


2. SEM SADA
Equador concede asilo poltico ao lder do WikiLeaks, Julian Assange, e abre uma crise diplomtica com o Reino Unido
Mariana Queiroz Barboza 

CONFRONTO - Policiais britnicos reprimem ativistas que esperam pela liberdade de Assange (abaixo) em frente  Embaixada do Equador em Londres

Amadrugada da quinta-feira 16 foi intensa para os ativistas da ONG WikiLeaks. Enquanto 20 apoiadores permaneceram na frente da Embaixada do Equador em Londres na expectativa de que oficiais britnicos invadissem o prdio a qualquer momento, milhares de seguidores acompanhavam a situao por meio das redes sociais, numa espcie de viglia virtual. H oito semanas, Julian Assange, fundador do WikiLeaks, est refugiado no local. Quando a manh chegou, o anncio oficial deixou todos em polvorosa: Quito aceitou dar asilo poltico ao ativista australiano. Acusado de estupro e agresso sexual por duas mulheres suecas, Assange seria imediatamente extraditado  Sucia para responder o caso na Justia, se tivesse sido entregue s autoridades britnicas. Mas seu maior temor era, da Sucia, ser enviado aos Estados Unidos, onde acredita que ser condenado  morte pela divulgao de documentos secretos em 2010.
 
Como a concesso do asilo no seria suficiente para a livre passagem de Assange at a Amrica do Sul (seria preciso ainda um salvo-conduto do governo britnico), Londres se tornou o centro de uma ciso diplomtica. O chanceler equatoriano, Ricardo Patio, j tinha mandado o recado. A entrada no autorizada na embaixada seria uma violao flagrante da Conveno de Viena (de 1961), disse Patio. O Reino Unido no reconhece o princpio de asilo diplomtico, afirmou William Hague, secretrio de Assuntos Exteriores. O episdio pode abrir precedentes embaraosos para Londres. Revogar arbitrariamente a imunidade diplomtica colocaria em risco o trabalho de seus prprios diplomatas em territrio estrangeiro, mas permitir que um fugitivo permanea impune dentro de uma embaixada, em oposio a um pedido de priso europeu, tambm no seria boa alternativa. Pelo Twitter, o WikiLeaks informou que Assange ir apelar para a Corte Internacional de Justia.
